Uma viagem de camping pelo Sul de Minas, com trilhas, cachoeiras, gastronomia e algumas boas doses de aventura, existem lugares que a gente visita. E existem lugares que a gente vive. Aiuruoca, no Sul de Minas Gerais, definitivamente está na segunda categoria.
Entre os dias 24 e 28 de julho, nós, do Por Aí de Barraca, montamos acampamento em Aiuruoca e passamos alguns dias explorando uma região que parece ter sido desenhada para quem gosta de natureza, montanha, cachoeira e aventura.
Ficamos acampados no Camping Luz do Sol, na região de Cangalha, e usamos o camping como nossa base para explorar alguns dos lugares mais especiais da região. E foram dias daqueles que fazem a gente voltar para casa cansado…mas com a sensação de que valeu cada quilômetro.
Ficamos acampados no Camping Luz do Sol, na região de Cangalha, e dali saíamos para explorar a região.
O camping está em um cenário privilegiado da Serra da Mantiqueira, com uma vista linda para as montanhas e para a Serra do Papagaio. É daqueles lugares em que a paisagem faz parte da experiência desde o momento em que você acorda.
A área de camping comporta até 10 barracas pequenas (mais ou menos) e conta com uma estrutura acolhedora para os campistas, incluindo:
– Banheiros masculino e feminino com ducha quentinha
– Cozinha compartilhada super completa
– Espaço para churrasqueira e momentos ao ar livre
– Área verde para aproveitar a tranquilidade do lugar
– Estacionamento
– Espaço pet friendly
Localizada na Serra da Mantiqueira, Aiuruoca é cercada por montanhas, vales, rios e cachoeiras. O município reúne uma enorme quantidade de atrativos naturais e tem no Pico do Papagaio, com mais de 2.100 metros de altitude, um de seus grandes símbolos. A região também abriga o Parque Estadual da Serra do Papagaio, uma importante área de preservação que reúne Mata Atlântica, campos de altitude, montanhas e uma biodiversidade bastante rica. Mas o que mais gostamos em Aiuruoca é que não é preciso escolher entre aventura e tranquilidade. Você pode passar um dia encarando uma trilha pesada e, no outro, simplesmente sentar diante de uma cachoeira ou aproveitar uma boa comida mineira. Foi exatamente o que fizemos.
Um dos nossos dias foi dedicado ao Vale do Matutu, um dos lugares mais conhecidos de Aiuruoca. O bairro do Matutu fica a aproximadamente 17 quilômetros do centro de Aiuruoca e concentra algumas das atrações naturais mais famosas da região. Nosso objetivo era conhecer duas das principais cachoeiras do vale: Cachoeira do Meio e Cachoeira do Fundo. E para isso encaramos uma caminhada de aproximadamente 11 quilômetros, considerando ida e volta. A trilha vai revelando aos poucos a paisagem da Mantiqueira, passando por áreas de mata, campos e trechos cercados por araucárias. A Cachoeira do Meio está justamente no caminho para a Cachoeira do Fundo e funciona quase como uma recompensa intermediária para quem encara a caminhada. Mas o grande objetivo era chegar à Cachoeira do Fundo. Com uma queda de aproximadamente 130 metros, a cachoeira aparece em meio à paisagem de montanha e paredões rochosos. O próprio portal oficial de turismo de Minas Gerais recomenda atenção e, para quem não conhece a região, o acompanhamento de guia ou condutor local. Depois de chegar até lá, era hora de voltar. Mas ainda tinha mais.
Na volta pelo Matutu, fizemos uma parada na Cachoeira das Fadas e aqui a experiência muda completamente. Depois de quilômetros de caminhada, encontrar uma cachoeira de acesso muito mais fácil é quase como ganhar um presente. A Cachoeira das Fadas fica próxima ao Casarão do Matutu e é conhecida por suas águas cristalinas e seu poço natural. É justamente uma das atrações mais acessíveis do vale.
CACHOEIRA DOS MACACOS: A ÚLTIMA PARADA DO DIA
E quando parecia que o dia já tinha terminado…Ainda fomos conhecer a Cachoeira dos Macacos. O atrativo também aparece entre os principais pontos turísticos naturais de Aiuruoca e está localizado na região do Matutu. Foi uma maneira perfeita de fechar um dia inteiro dedicado à natureza. Foram várias horas caminhando, diferentes paisagens, cachoeiras, água gelada e aquela sensação que quem gosta de trilha conhece bem: o corpo cansado e a cabeça leve.
O GRANDE DESAFIO: PICO DO PAPAGAIO
Se o Vale do Matutu foi um dia de descobertas, o Pico do Papagaio foi o nosso grande desafio da viagem. Foram aproximadamente 16 quilômetros de trilha, ida e volta, em uma caminhada que levou cerca de 6 horas. E não é exagero dizer que foi um desafio. O Pico do Papagaio possui aproximadamente 2.105 metros de altitude e é uma das principais formações montanhosas da região. Existem diferentes caminhos para chegar ao cume, incluindo acessos pelo Matutu e pelo Vale dos Garcias. A trilha alterna trechos de Mata Atlântica e campos de altitude, com subidas que exigem preparo físico. Não é uma caminhada para simplesmente “ir ver como é”. É preciso respeitar a montanha e foi justamente isso que tornou a conquista ainda mais especial. A cada subida, o cenário vai ficando mais aberto, avegetação muda, as montanhas aparecem e quando finalmente chegamos ao alto, fica fácil entender por que o Pico do Papagaio é considerado um dos grandes símbolos de Aiuruoca. A vista compensa o esforço.
Cachoeira dos Garcias
Depois de conquistar o topo do Pico do Papagaio, as pernas pesavam e o cansaço acumulado pedia trégua. Mesmo assim, decidimos esticar o roteiro até a impressionante Cachoeira dos Garcia. Cada passo desse esforço extra valeu a pena quando nos deparamos com a força daquela queda d’água, o combustível perfeito para renovar as energias antes de montar o acampamento.
E DEPOIS DE TANTA TRILHA… COMIDA!
E uma viagem pelo interior de Minas Gerais também precisa passar pela gastronomia. Durante nossa estadia, fomos conhecer o Bistrô Florenza, na região rural de Cangalha. E foi uma daquelas experiências que mostram que viajar também é comer bem. Provamos pratos deliciosos e tivemos mais um daqueles momentos que fazem parte da nossa maneira de viajar: conhecer o lugar também através da sua comida.
CACHOEIRA DO FACÃO
Seguimos para a Cachoeira do Facão, localizada na zona rural de Alagoa. O acesso é relativamente curto: a partir da estrada Alagoa–Itamonte, há uma trilha de aproximadamente 123 metros até o atrativo. A cachoeira tem importância não apenas pela beleza natural, mas também pela história. Suas águas foram utilizadas como fonte do antigo abastecimento elétrico da cidade. Hoje, o local oferece uma combinação interessante de natureza, história e, claro, água para quem quiser se refrescar. Depois de tantos quilômetros de trilha durante a viagem, uma cachoeira de acesso curto foi uma ótima maneira de aproveitar mais um pedaço da Mantiqueira.
AIURUOCA VALE A VIAGEM?
Sem dúvida. Nossa passagem por Aiuruoca reuniu exatamente algumas das coisas que mais gostamos de encontrar em uma viagem: camping, natureza, montanha, cachoeiras, gastronomia e aventura. Foram dias intensos. Tivemos uma trilha de aproximadamente 11 quilômetros pelo Vale do Matutu, conhecemos quatro cachoeiras, encaramos cerca de 16 quilômetros para conquistar o Pico do Papagaio, experimentamos a gastronomia local, fomos até Alagoa conhecer seus famosos queijos e ainda visitamos a Cachoeira do Facão. Mas, no final, os números são apenas números, o que fica mesmo são as experiências, a paisagem vista depois de horas de caminhada, o cansaço depois da trilha, a conversa na barraca e aquela sensação de olhar para tudo e pensar: Ainda bem que a gente veio.

































































